10 desafios que o reitor reeleito da UFSM terá nos próximos 4 anos

Diário de Santa Maria, 30/06/2017, Geral, Online 

Paulo Afonso Burmann, reitor da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) foi reeleito na consulta para indicação a reitoria. Em dezembro, ele deve tomar posse de seu segundo mandato. E junto com mais quatro anos de administração, ele terá novos desafios pela frente. Confira:

1. Avaliação da vitória
“Vemos aí um crescimento expressivo de apoio da comunidade, que ficou muito marcado. Em setores onde tínhamos resistências, essas resistências foram superadas. Em outros espaços onde vínhamos tendo bom desempenho, esse desempenho teve um incremento muito significativo. A comunidade testemunhou que apesar de todas as dificuldades, a universidade cresceu nesse período, se estruturou melhor.”

2. Estatuinte
“Esse é um espaço que precisa amadurecer dentro da universidade sem os sectarismos que, de certa forma, desestimularam algumas pessoas a participar. Alguns debates foram pouco produtivos, mas a gente entende que é um processo democrático. Foram escolhidos 300 delegados e até quem sabe teremos que rever o número. Eu disse, lá no início, que esse era um congresso que iria acabar se esvaziando e é o que está acontecendo. De qualquer forma, os debates que aconteceram serão aproveitados. É a primeira vez que a universidade se rediscute internamente.”

3. Nova gestão
“Lá no início, quando um grupo específico de servidores e gestores da universidade quase que nos encurralaram exigindo que esse modelo de gestão continuasse, o que ficou estabelecido é que o segundo mandato precisa ser bem melhor que o primeiro. O segundo mandato só se justifica se for melhor que o primeiro e permitir corrigir eventuais equívocos que tenham ocorrido na primeira gestão.”

4. Mudança na equipe
“Estamos fazendo uma análise sobre onde poderíamos ter ido melhor e não fomos. Vamos continuar fazendo essa análise até para pensar e projetar o perfil da próxima equipe. Novo mandato, nova equipe. A vinda do Luciano (Luciano Schuch, diretor do Centro de Tecnologia e vice-reitor eleito) é uma nova geração, uma nova visão, que tem que ter seu espaço dentro da gestão.”

5. Reestruturação da reitoria
“O que vamos fazer no segundo semestre não é apenas em termos de equipe, mas em termos de funcionamento da estrutura da Reitoria, que é dos anos 60. Então, ela precisa ser reavaliada. A Pró-Reitoria de Planejamento já está trabalhando tecnicamente numa estrutura por habilidades e competências. E vai haver reforma administrativa sim. Eu disse que isso aconteceria independentemente do resultado da eleição. Esse processo já está em andamento e vamos trabalhar para isso ao longo do segundo semestre.¿Cortes de verbas¿Estamos trabalhando com R$ 140 milhões a menos do que poderíamos estar trabalhando e a tendência é continuar o corte. Em 2014, a lei orçamentária previa R$ 67 milhões em investimentos e nós executamos, por conta dos cortes, só R$ 28 milhões. Foi exatamente a mesma coisa em 2015 e em 2016. E em 2017 está pior, nós reduzimos para R$ 18 milhões e isso compromete de fato a estrutura de investimentos, que são obras e equipamentos.”

6. Paralisação 
“Se a expressão de que a UFSM vai paralisar em setembro foi colocada, não era exatamente isso que queríamos dizer. Certamente foi uma manifestação mal colocada ou mal interpretada, de que teríamos sérias dificuldades, e de fato teremos. Mas a universidade não para, não fecha, não quebra. As dificuldades existem e nós já estamos enfrentando-as, como o reajuste dos contratos (com empresas terceirizadas).”

7. Campus em Cachoeira
“Se não tivermos recursos, todas as obras estão ameaçadas, inclusive as da sede. E se não temos como pagar, como é que a gente vai fazer? As obras param. Mas estamos apostando, de forma otimista, que vamos conseguir a liberação de mais recursos.”

8. Hospital Regional
“Todos devem lembrar o quanto fomos insistentes para que o governo estadual cedesse o patrimônio do Hospital Regional para a universidade, que é a única forma da Ebserh participar. Foi essa a negociação que fizemos com o governo Tarso e que, no governo atual, intercorrências políticas levaram o governo a rever sua posição, e o hospital está aí, fechado. Insistimos bastante com o governo Sartori até o ponto de gerarmos alguns desconfortos políticos. O Hospital Regional seria uma estrutura importantíssima para a rede de saúde na região. Com o Regional funcionando, não teríamos mais de 40 pacientes em macas nos corredores do Pronto-Socorro do Hospital Universitário. Vamos retomar esse debate da Ebserh.”

A UFSM e a cidade
“A criação da Agência de Inovação e Transferência de Tecnologia (Agittec) vem muito nesse sentido de participar da cidade. Hoje, temos lá quase 20 empresas incubadas. São quase 100 empregos diretos criados lá dentro e a geração de emprego e renda tem um impacto muito positivo na sociedade. Nossa parceria como Tecnoparque, que começa a se fortalecer, é outra ação importantíssima. E mais ainda: temos a Incubadora Social, que tem projetos belíssimos, com a orientação de professores, técnicos-administrativos e estudantes junto da comunidade para solucionar problemas daquela comunidade. Imaginem como estaríamos sem o Hospital Universitário? Nossos programas multiprofissionais estão espalhados por toda a rede pública. Nossos residentes são quase que invisíveis, mas estamos lá.”

Comentários estão fechados.