Principal fundação de pesquisa da UFSM padece com cortes no orçamento

Diário de Santa Maria, 21/07/17, Política, Online.

Em cinco anos, entre 2012 e 2016, a Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência (Fatec) sofreu uma redução drástica de R$ 22,5 milhões em recursos para projetos de pesquisa, ensino, prestação de serviço, extensão e desenvolvimento institucional, uma queda de 38,7%, que refletem a crise econômica.

A Fatec é o principal braço de pesquisa da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Se o valor de 2012 for atualizado pela inflação do IPCA, a queda real de investimentos fica em 54%.

As informações constam no relatório de avaliação de desempenho, um dos documentos exigidos pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações para o recredenciamento das fundações.

Aprovada no dia 6 de julho pelo Conselho Universitário (Consu) da UFSM, a avaliação é enviada a cada dois anos ao ministério junto com outros documentos exigidos para o recredenciamento das fundações, conforme explica o secretário-executivo Adalberto Meller.

A partir de 2012, os recursos foram diminuindo gradualmente. Nesse ano, foram destinados R$ 58,1 milhões para suas atividades. Já em 2016, a Fatec viu as verbas caírem para R$ 35,5 milhões.

Os números de 2017 só entrarão no balanço do próximo ano (a avaliação é anual). A pesquisa, item mais importante, teve altos e baixos nesse período de meia década.

Em 2012, a receita para os pesquisadores era de R$ 20,7 milhões. Em 2014, caiu drasticamente para menos da metade, ficando com R$ 8,8 milhões de recursos, o volume mais baixo do período.

Apesar de uma recuperação em 2015, quando o montante para a pesquisa atingiu R$ 19,1 milhões, as verbas voltaram a cair em 2016, ficando na casa dos R$ 15,8 milhões.

No documento da fundação, há uma análise histórica sobre a “tendência de redução, com o retorno a índices anteriores a 2011, o que, em conjunto com outros indicadores, demonstra que a recessão econômica do país apresenta reflexos no desempenho da arrecadação da Fatec”.

PESQUISA ATINGIDA

O item que mais perdeu recursos é o desenvolvimento institucional, que envolve ações como obras da UFSM, que caiu de R$ 22,3 milhões para R$ 4 milhões em cinco anos – essa queda se deve, principalmente, ao fato de a própria universidade ter assumido grande parte de suas obras.

Já a extensão foi o setor que mais cresceu: passou de R$ 6,2 milhões em 2012 para R$ 11,6 milhões em 2016.

– A partir do momento em que a Fatec deixou de ser envolver com obras da UFSM, de forma geral, houve redução de recursos da área de desenvolvimento institucional. Já a pesquisa sofreu um tombo violento com corte de verbas do Finep (Financiadora de Estudos e Projetos, empresa pública de fomento à pesquisa) e esse tombo foi repassado para nós. E também houve retração dos investidores privados – explica Antonio Augusto Maioli, assessor institucional da Fatec.

Já a extensão, que saltou de R$ 6,2 milhões há cincos anos para os R$ 11,6 milhões em 2016, explica-se pela participação da UFSM em alguns dos grandes projetos, como o Universidade Aberta do Brasil, que engloba o ensino a distância. Nesse caso, o suporte dado pela universidade é que conta para receber verbas.

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