Comunidade e protetores de animais temem onda de envenenamento na UFSM

Diário de Santa Maria, 25/07/2017.

Protetores e comunidade do entorno da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no campus de Camobi, temem uma onda de envenenamento de animais e cobram providências nas redes sociais.

Nos últimos 10 dias, há relatos de que foram encontrados seis cachorros que viviam no campus já sem vida. Alguns chegaram a ser avistados com sintomas de ingestão de veneno: salivação excessiva, tremores, pupila dilatada e vômito. Uma moradora da Casa do Estudante que não quis se identificar relatou a morte de uma gata com os mesmo sintomas.

cachorrinha Jabuticaba, que há anos vive no campus, foi uma das vítimas de envenenamento, mas felizmente, foi medicada a tempo e salva. O fato foi relatado em um post no Facebook da estudante de Medicina Veterinária Evelin Duponte e gerou revolta. Até a tarde desta segunda-feira, 117 pessoas haviam compartilhado a publicação.


Estudante relata o envenenamento de cadela que morava no campusFoto: Reprodução / Facebook

O QUE DIZ O PROJETO ZELO

Contudo, segundo Hilo Paim, um dos coordenadores do Projeto Zelo,vinculado ao gabinete do vice-reitor e que desde 2014 atua para coibir o abandono e os maus-tratos animal dentro da UFSM, não há como confirmar os casos:

– Por enquanto são boatos. Nós não temos conhecimento, peço que nos procurem. Não temos nada de concreto ou casos que tenham sido comprovados pelo Hospital Veterinário. E esses animais podem não ser da universidade, pois muitos transitam por todos os lados e vão parar lá dentro.

O Projeto Zelo atende denúncias pelos telefones (55)3220-8279 e 3220-8080. Conforme, Paim, se identificadas situações de abandono ou maus-tratos podem ser imediatamente comunicadas.

O QUE DIZ O HOSPITAL VETERINÁRIO
Segundo informações do Hospital Veterinário Universitário (HVU), na tarde da última sexta-feira, uma cachorra deu entrada com  indícios de envenenamento. Segundo a veterinária Marta Do Rego Leal, vice-diretora da unidade, o animal passa bem e deve ser encaminhado a um lar temporário.

É CRIME
Maus-tratos a animais é considerado um crime ambiental. A pena prevista é de três meses a um ano de prisão. No entanto, há agravantes quando são registradas mortes, o que pode aumentar a pena em até mais quatro meses. Em caso de condenação, como a pena não chega a quatro anos, poderá ser substituída por uma prestação de serviço ou pagamento de multa.

OUTROS CASOS
Em setembro do ano passado, um dos casos de maior repercussão de maus-tratos animais da cidade, tem como uma das hipóteses para as mortes, envenenamento. O encontro de 25 cadáveres de cães em uma casa alugada pela presidente de uma entidade protetora de animais da cidade foi investigado pela Polícia Civil. A suspeita foi indiciada por estelionato e por apropriação indébita, já que receberia doações para cuidar dos cachorros. Outro inquérito segue em andamento por maus-tratos.

Segundo os peritos, a suspeita foi levantada  pela forma da decomposição dos cadáveres e a presença de veneno para rato no local onde os animais foram encontrados.

Também no ano passado, no período de quatros meses, 30 gatos e dois cachorros foram envenenados e morreram na Vila Tonetto, no Bairro Camobi. Um veterinário atestou a causa das mortes.Os moradores alegaram ter um suspeito para os crimes, mas ainda não conseguiram comprovar a autoria.

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