Sem registro de foco da febre aftosa desde 2001, RS tenta antecipar retirada de vacina

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G1 RS, 29/10/17, Geral, Online.

Objetivo é tornar o estado zona livre da doença sem vacinação até 2019. Suspensão da vacinação pode beneficiar os produtores.

Comentarista Gisele Loeblein fala sobre a decisão do RS de eliminar a vacinação contra febre aftosa

Comentarista Gisele Loeblein fala sobre a decisão do RS de eliminar a vacinação contra febre aftosa

O governo do Rio Grande do Sul trabalha para antecipar a retirada da vacina contra a febre aftosa, para que o estado seja considerado livre da doença. Para isso, será solicitada uma auditoria com o Ministério da Agricultura, na qual técnicos realizam uma vistoria no controle sanitário gaúcho e elaboram um relatório informando se há condições para que a medida seja adotada.

Uma determinação do governo federal prevê a suspensão da vacinação contra febre aftosa em todo país até 2023. O Rio Grande do Sul, junto com um grupo de outros 12 estados, tem a data prevista para que isso aconteça em 2021. No entanto, o governo gaúcho quer que o estado seja considerado zona livre da aftosa sem vacinação já em 2019.

Sem focos da doença desde 2001, a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) apoia a decisão do governo gaúcho e acredita que suspensão pode render lucros para os produtores rurais.

“Nós vamos atingir mercados que pagam bem mais, como a Coreia e o Japão, que exigem que a carne seja livre de vacinação. É um risco, sem dúvida, mas nós temos uma atividade a céu aberto e temos de correr esse risco”, pondera o vice-presidente da Farsul Tarso Teixeira.

Além de mercados que exigem carne livre de vacinação, outra preocupação dos produtores é que boa parte do rebanho sofre reação após aplicação da vacina. Cerca de 25% a 30% dos animais vacinados apresentam caroços de abcessos desvalorizando a carne, apesar de não prejudicar na qualidade.

“Tu mandas o dianteiro para o açougueiro, e ele não quer dessa forma. Então o frigorífico é obrigado a reduzir o preço”, explica o professor do Centro de Ciências Rurais da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Leonir Pascoal.

Antes de ser totalmente suspensa a vacinação, algumas mudanças devem ser feitas. O primeiro passo é a troca da fórmula para 2018. A vacina deve deixar de ser trivalente e passa a imunizar somente contra dois vírus. A dosagem também deve ser reduzida de 5ml para 2ml.

“É uma situação em que o uso da vacina não seja o principal hoje. O principal seria evitar a reintrodução de vírus, dando atenção as fronteiras, fazer controle de trânsito e inspeção de animais”, explica.

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