Médicos do Husm realizam cirurgia inédita em Santa Maria

Diário de Santa Maria, 29/11/2017, Geral, Online.

Médicos do Husm realizam cirurgia inédita em Santa Maria Gabriel Haesbaert/NewCO DSM
O pai Hiago Pereira Simon, 22 anos e a mãe Natália Severo, 24, estão contentes que a cirurgia deu certoFoto: Gabriel Haesbaert / NewCO DSM

Uma técnica desenvolvida na Argentina há 10 anos está salvando vidas também no Brasil. Pela primeira vez, médicos do Hospital Universitário de Santa Maria (Husm) realizaram uma cirurgia em um bebê, logo depois do parto, ainda ligado à mãe pelo cordão umbilical. O procedimento feito para corrigir uma abertura na parede abdominal, realizado pelo Sistema único de Saúde (SUS), permite uma recuperação mais rápida e de menos sofrimento ao recém-nascido, diminuindo o tempo de internação.

Na décima oitava semana de gestação, a atendente de restaurante Natália Severo da Silva, 24 anos, ficou sabendo que o filho tinha gastrosquise – uma má-formação congênita em que o bebê apresenta um buraco no intestino. Desde então, a gestante passou a ser acompanhada pela equipe da Medicina Fetal do hospital por ser uma gestação de risco. Casos como esse atingem quatro de cada 10 mil recém-nascidos no Brasil. No Husm, é comum ocorrer de três a quatro casos no ano. Porém, nas outras vezes, a cirurgia foi realizada quando o bebê já estava separado da mãe.

– Quando eu fiquei sabendo que a gente ia passar por uma cirurgia, fiquei nervosa e preocupada, mas entreguei nas mãos de Deus, e deu tudo certo – conta Natália.

Na quinta-feira, 23 de novembro, a cesárea precisou ser realizada com 34 semanas de gestação. Graças ao trabalho de uma equipe com cerca de 15 profissionais – entre anestesista, obstetras, neonatologistas, pediatras, cirurgiões e enfermeiros – o bebê foi operado ainda ligado ao cordão umbilical. Todo o procedimento durou cerca de 55 minutos – somente a cirurgia no bebê, de colocar o intestino para dentro do abdômen e fechar, durou cerca de seis minutos. Às 9h02min, Carlos Alberto Severo nasceu com 2,340 kg e 42 cm. De acordo com a médica obstetra Vanessa Grolli Klein, se a cirurgia fosse feita depois do parto, poderia complicar o estado de saúde da criança.

– Nós fizemos a cesariana, tiramos o nenê, ainda com a placenta no útero, e, com o cordão umbilical, ele continuou respirando pelo fluxo materno. É maravilho saber que a gente pôde ajudar esse nenezinho a ter uma qualidade de vida melhor, é muito gratificante – explica Vanessa que também é residente em medicina fetal do Husm.

A cirurgia foi feita pelo método chamado Simile Exit, criado há 10 anos pelo cirurgião pediátrico argentino Javier Svetliza, do hospital José Penna, de Baía Blanca, na Argentina. A primeira cirurgia desse tipo no Brasil ocorreu em 2014, em Salvador, na Bahia, e em São Paulo.

– Com essa cirurgia, a gente tem por intuito corrigir o defeito abdominal sem necessidade de ventilação mecânica do paciente. A anestesia foi de curta duração e foi aplicada na mãe, e, consequentemente, passou para o bebê. O sentimento é de realização, principalmente porque a criança está se alimentando precocemente – salienta a Gabriela Zanolla, cirurgiã pediátrica do Husm.

SANTA MARIA, RS, BRSAIL. 29/11/2017.Médicos fazem cirurgia inédita no Husm  - recém-nascido é operado após o parto ligado a mãe pelo cordão umbilical 1- Natália Severo da Silva, 24 anos, mãe do bebê -  atendente de restaurante2- Hiago  Pereira Simon, 22 anos, mecânico ¿ pai do bebê 3- Carlos Alberto Severo Simon ¿ recém ¿ nascido Nasceu dia  23.11.17 às 9:02 com 2, 340 kg com 34 semanas de gestação FOTO: GABRIEL HAESBAERT / NEWCO DSMO pequeno Carlos Alberto Severo Simon de 6 dias está internado na UTI Neonatal do Husm e mama no peito a cada 3 horasFoto: Gabriel Haesbaert / NewCO DSM

Natália deu alta na última segunda-feira, mas continua indo ao hospital ver e amamentar o filho que está internado na UTI Neonatal. Conforme a chefe da Unidade de Cuidados Intensivos e médica neonatologista, Marines Casarotto, o estado de saúde do menino é estável. Ele está em observação e inspira cuidados. A expectativa de alta do bebê é de 21 dias.

– Agora o que a gente mais quer é levar ele para casa, toda família está ansiosa para conhecer ele – disse a mãe empolgada.

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