Maratona das artes ocorre nesta quinta no Teatro Caixa Preta

Diário de Santa Maria, 05/04/2014, Geral, Online. 

Foto: Gabriel Haesbaert (Diário)
Depois de ser aluna, a professora de Artes Cênicas Raquel Guerra assume a direção do Teatro Caixa Preta

Nesta quinta-feira, o Teatro Caixa Preta – Espaço Rozane Cardoso completa 30 anos. E para celebrar esta data, durante todo o dia, serão promovidas atividades multiculturais no interior do espaço. A cerimônia de aniversário começa às 10h30min e, após as solenidades, das 12h até as 22h, ocorrerá a Maratona das Artes, com apresentações musicais, teatrais, exposições, entre outras. Todas as atividades são gratuitas e abertas ao público.

Fundado no dia 5 de abril de 1988, o teatro está localizado anexo ao Centro de Artes e Letras, prédio 40, da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). E chama a atenção de quem circula pela cidade universitária, devido ao mural em uma das suas paredes externas, produzido pelo artista chileno e professor aposentado da UFSM, Juan Amoretti.

A professora do departamento de Artes Cênicas Raquel Guerra, que assumiu recentemente a direção do Caixa Preta, conta que o teatro é um espaço pioneiro no Estado, principalmente quanto a sua vocação.

Chamado de Caixa Preta, justamente pela sua arquitetura, o teatro tem a característica de ser multiuso. Ele não tem uma estrutura fixa. Dessa forma, pode receber espetáculos de qualquer natureza e moldar o posicionamento da plateia de acordo com as necessidades.

- Ele foi feito em um formato black box, que permite que você trabalhe com o palco, redesenhe o espaço para a plateia e atenda a todas as concepções artísticas que nele se apresentam – explica a diretora.

O também professor do departamento de Artes Élcio Rossini comenta o quanto o teatro é fundamental para a universidade, pois além de servir como laboratório de iluminação, também escoa toda a produção acadêmica de diferentes manifestações artísticas. Rossini foi diretor do Caixa Preta durante quatro anos.

- Ele tem uma importância e se inscreve na história da arquitetura teatral do Rio Grande do Sul, exatamente por ser o primeiro teatro desse tipo – ressalta o professor.

LUGAR SAGRADO


Foto: Arquivo Histórico da UFSM (Diário)
Ideia para a construção do teatro foi trazida na década de 1980 dos Estados Unidos

A professora aposentada Beatriz Pippi acompanhou o surgimento e o crescimento do espaço. Em entrevista para o projeto de memória do espaço, conta que a ideia de criação foi trazida dos Estados Unidos, pelos então professores Irion Nolasco e Maria Lúcia Raimundo. Os dois foram para os Estados Unidos, na década de 1980, para cursar o mestrado.

Beatriz conta que a obra foi interrompida por diversos momentos e, depois da estrutura pronta, foram feitos projetos para a aquisição dos equipamentos necessários.

A aposentada afirma que o Caixa Preta se tornou, para ela e para os demais professores, um lugar sagrado.

- Lembro-me que, no dia da inauguração, a professora Inês fez os convidados tirarem os calçados para entrar e não machucar o piso do Caixa Preta, tal era a importância daquele lugar sagrado – diz Beatriz.

SOB NOVA DIREÇÃO
Começando o trabalho como gestora do Caixa, Raquel já adianta alguns projetos nos quais a nova diretoria irá trabalhar no decorrer dos dois anos. Um deles é a criação de um arquivo de memória do teatro.

Segundo a diretora, faz-se necessário organizar a história deste espaço tão significativo para a cidade e para o cenário cultural local.

- Nós vamos começar com esse projeto de resgate da memória porque lugares como este, ao mesmo tempo que são pedagógicos, também abrem espaço para a produção artística da cidade. E isso é raro – explica a diretora.

Além do memorial, também serão implementadas estratégias de divulgação das atividades, ações internas de qualificação, além projetos já existentes de doação de equipamentos para o teatro.

- Será um desafio bem grande gerir este espaço público. Mas precisamos dar continuidade ao trabalho, assim como devemos conservá-lo – finaliza a nova gestora, que já se apresentou no local quando aluna da UFSM.

PROGRAMAÇÃO

  • 12h – Abertura da Maratona das Artes
  • 12h – Abertura de Exposições Artes Visuais Curadoria: Rebeca Lenize Stumm
  • 14h – Documentário “O Circo Passou?” Realização: Grupo Cine Circo – Direção: Raquel Guerra
  • 15h – Palco Aberto – Departamento de Artes Cênicas
  • 15h30min – Filme “Sob a Ótica dos Deuses”. Realização: Facos e Teatro no Buraco.
  • 15h30min – Performance “(Des)Territorialidades” Instalação Interativa – Performer: Gisela Biancalana
  • 16h – Improvisação Por que Não? Curso de Dança
  • 16h – Performance Rubra Fluidez. Performer Camila Matezenauer dos Santos
  • 17h – Performance “Jornadas”. Performer: Cristine Carvalho Nunes
  • 17h – Recital de Música – Curso de Música
  • 18h – Performance Discotecagem Laprida. Performer: Lainon William
  • 19h – Circo Livre. Realização: Grupo Cine Circo – CNPq. Artistas-pesquisadores Gelton Quadros, Laédio José Martins, Liziane da Rosa, Júlia Freitas, Natália Dolwitsch, Raquel Guerra, Renata Correa e Thayna Máximo
  • 20h30min – Jam Bambolística. Performer: Natália Dolwitsch
  • 22h – Encerramento Maratona das Artes

 

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