Secretária explica por que a divulgação das regiões com mais casos de toxoplasmose é demorada

Diário de Santa Maria, 07/05/2018, Saúde, Online. 

Colunista Deni Zolin conversou com a secretária de Saúde, que afirmou que o estudo epidemiológico ainda não foi concluído

Na coluna de final de semana, cobrei das autoridades o direito da população de saber quais regiões de Santa Maria estão sendo mais afetadas pelo surto de toxoplasmose, que atinge uma situação preocupante em relação às grávidas. Já são 105 gestantes recebendo tratamento contra a doença para tentar amenizar possíveis danos aos fetos, além de dois casos de morte de fetos e de um aborto sob investigação – ao todo, são 176 casos confirmados da doença e mais de 600 notificações. O prefeito Jorge Pozzobom (PSDB) e a secretária de Saúde, Liliane Mello Duarte, admitiram que a população tem, sim, o direito de saber.

Porém, a secretária esclareceu que será preciso primeiro concluir o estudo epidemiológico dos pacientes, para saber onde moram, trabalham, estudam e os locais onde compram alimentos ou fazem refeições para ter informações mais precisas. Só então, poderá se ter dados mais concretos de onde pode estar a contaminação. O temor da secretária é que, se forem divulgados os bairros com mais casos agora, com base só em informações preliminares, poderá fazer com que a população das demais regiões da cidade relaxem e não tomem mais medidas de prevenção. Ela ressalta que esse cuidado deve ser feito, principalmente, pelas grávidas, que devem tomar água mineral ou fervida por 10 minutos e não comer carne mal passada nem verduras cruas, pois é bem maior o risco de sequelas ao bebê e até de morte de fetos em caso de a gestante contrair toxoplasmose. Já as frutas devem ser descascadas, ressalta a secretária.

- A população vai saber as zonas de maior contaminação. Como funciona uma pesquisa de perfil epidemiológico? Digamos assim, eu moro na Tancredo e passo meu dia no Centro, bebo água no Centro e adoeci. O meu marido não está doente, mas meu filho está. Ele mora na minha casa e passa o dia na universidade. Na minha vizinhança ninguém adoeceu. Na universidade, eu tenho um paciente que estuda lá e trabalha no Centro, come só na rua, nunca faz uma refeição em casa. O que acontece? Isso tudo, a gente está colocando no aplicativo com o professor Giotto, da UFSM, para o georreferenciamento. Agora, a gente conseguiu colocar todos os “verdes”, que são as pessoas que eu tenho o primeiro exame (comprovando). Aí, eu ponho no mapa os “vermelhos” (confirmados pelo Lacen), onde eles moram – conta Liliane.

Segundo ela, a partir daí entra a pesquisa com os doentes para tentar achar que coincidências há entre os casos para tentar achar uma possível fonte de contaminação que seja semelhante entre todos.

- Aí eu faço cento e poucas perguntas para esse paciente, quando ele quer responder. “Olha, eu estou com exame positivo, estou doente, mas como todo dia no restaurante X”. Aí coloco esse ponto no mapa e vejo quantos pacientes eu tenho que usam esse restaurante e peço autorização para coletar a água desse restaurante. Aí, começa o que se chama de perfil epidemiológico, de quantos cruzamentos eu tenho para achar um foco. Até agora, dois focos em que tinha mãe e filho com hábitos iguais, deu água de poço. Só que eu não posso descartar a água da Corsan, pois as pessoas também comem verduras. Só que ela não lembrava onde ela comprava verdura, se era numa feira. Se ela informasse que era um supermercado, seria um ponto. Só que como ela não lembrava, a gente não tem um ponto. Então, é essa a dificuldade, até para os médicos entenderem. É muito difícil. A gente está com 5 pessoas que vieram de Brasília para nos ajudar. Estou com um grupo de alunos fazendo essas entrevistas porque isso é fundamental. A busca da fonte da contaminação é prioritária, assim como o cuidado com as grávidas – disse a secretária, informando que espera concluir os estudos nas próximas semanas para poder divulgar quais os bairros mais afetados e qual a provável fonte de contaminação.

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