Livro escrito por professores da UFSM vence prêmio nacional no Rio

Diário de Santa Maria, 25/05/2018, Geral, Online.

O romance ‘Guanabara Real: Alcova da Morte’ ganhou o prêmio Le Blanc

Suelen Soares


Foto: Charles Guerra (Diário)
Os professores da UFSM Nikelen Witter e Andre Cordenonsi. ganharam um prêmio nacional com o livro: Guanabara Real, A Alcova da Morte

Uma trama de investigação policial. Um enredo de ficção científica. Um crime de horror sobrenatural. Essa é a descrição do romance Guanabara Real: Alcova da Morte, de autoria dos professores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Enéias Tavares, Nikelen Witter e Andre Zanki Cordenonsi. O livro, lançado no ano passado, ganhou, recentemente, o prêmio nacional Le Blanc, na categoria de Melhor Publicação Fantasia, Ficção Científica ou Terror.

O prêmio foi entregue no início de maio, durante a Semana Internacional de Quadrinhos (SIQ), organizada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e pela Universidade Veiga de Almeida (UVA). Segundo Nikelen, a premiação é um reconhecimento dos leitores que receberam muito bem a obra lançada em um book tur que, além de Santa Maria, contemplou as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Florianópolis.

- Primeiro, o livro foi indicado pelos leitores, que votaram e nos deixaram entre os três finalistas pelo júri popular. Então, só por termos sido lembrados, já foi excelente. Depois, na final, vencemos por meio da escolha de um júri técnico – comenta a professora.

DIFERENTES PRISMAS

A obra é dividida em 21 capítulos, e, cada um dos três escritores, ficou responsável pela escrita de sete. É a mesma história, porém, descrita de acordo com a percepção de cada um dos personagens. Um verdadeiro mosaico narrativo.

Segundo Nikelen, foram muitas reuniões e reescritas infinitas para contar a história da investigadora policial Maria Tereza Flores, do místico Remy Rudá, do engenheiro Firmino Boaventura e de muitos vilões. Ela diz que toda essa dedicação valeu muito a pena.

- Levamos um ano e meio, aproximadamente, para concluir a obra. E cada um de nós assumiu um personagem. Mas tudo foi muito bem costurado, e o leitor não percebe que o livro foi escrito a seis mãos. Isso também é mérito do nosso editor, Artur Vecchi. Foi um desafio muito divertido – diz a escritora.

REFERÊNCIAS
Toda a trama ocorre durante a inauguração de uma estátua no Corcovado, no Rio de Janeiro, em 1892. Nessa noite, um crime abala a sociedade carioca, dando a passagem à investigação dos três personagens, que mergulham nesse mistério, colocando em risco o futuro do país.

Os autores contam que, para escrever essa história, além da bagagem criativa de cada um e demais aptidões e gostos pessoais, eles também resolveram revisitar outras referências literárias que os auxiliaram na conclusão desse trabalho.

- A Nikelen releu os livros da Agatha Christie, eu me apoiei em Júlio Verne, e o Enéas com o Lovecraft. Isso acaba transparecendo muito no livro. Algumas pessoas até se confundem, acabam achando que os personagens foram inspirados em nós – brinca Andre.

E para os leitores que ficaram curiosos e apreciam uma boa aventura, os escritores garantem que uma sequência de Guanabara Real: A Alcova da Morte está prevista para ser lançada, possivelmente, em outubro do ano que vem.

SOBRE LE BLANC
André Le Blanc foi um artista haitiano que residiu no Brasil. Sua obra fez dele merecedor da Ordem do Cruzeiro do Sul. Ele foi o responsável pelas mais icônicas ilustrações da obra infantil de Monteiro Lobato e um dos nomes mais importantes entre os ilustradores que adaptaram clássicos da literatura brasileira para quadrinhos na revista Edição Maravilhosa, da extinta editora Ebal. O prêmio Le Blanc é uma forma de homenagear esse grande artista, que morreu em 1998.

  • Autor - Enéias Tavares, Nikelen Witter e Andre Cordenonsi
  • Lançamento - 2017, Avec Editora, 240 páginas
  • Gênero - Policial, steampunk e horror
  • Preço - Athena Livraria R$ 34,90, no site da Avec R$ 26,50, Saraiva R$ 29,90

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