A filosofia e a sociologia no Enem

Diário de Santa Maria, 31/10/2013, Opinião, p. 4

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi criado no governo de Fernando Henrique Cardoso, em 1998, como parâmetro de avaliação do Ensino Médio. Já em sua segunda fase, a partir de 2005, o governo Lula amplia o exame passando a vincular a concessão de bolsas do Prouni às notas do Enem. Em 2009, o Enem passou a ser uma forma de seleção unificada nos processos seletivos das universidades públicas federais, além de passar a contar com um número maior de questões. Hoje, são 45 questões para cada área: Ciências Humanas (história, geografia, sociologia, política, antropologia e filosofia); Linguagem e Códigos (interpretação de texto, língua portuguesa, língua estrangeira, educação física, artes e informática); Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias (química, física, biologia e matemática), além da redação.

Em todo o Brasil, são mais de 500 universidades que adotam a prova como acesso ao Ensino Superior. Em 2013, são 59 universidades federais que adotam a prova como processo seletivo, ou parte dele, de novos alunos. Em número de participantes, o Enem é o segundo maior sistema do mundo, só perdendo para a China. No último Enem, foram mais 5 milhões de participantes.

O que se tem notado na prova das humanidades nos últimos três anos é uma maior relevância de questões ligadas ao enfoque da sociologia e da filosofia. As temáticas mais visadas pelas questões das provas foram: a) Cidadania/participação/inclusão/democracia/direitos, com 15 questões; b) Movimentos sociais, nove questões; c) Uso das novas tecnologias e seus impactos, sete questões; d) Teoria do conhecimento, sete questões; e) Instituições e pensamento político, cinco questões; f) Modos e relações de produção e corpo/gênero/morte e ética, com três questões cada. Na prova de 2013, tivemos 14 questões de sociologia e quatro de filosofia.

A obrigatoriedade da filosofia e da sociologia no Ensino Médio recomeçou a partir de junho de 2008, com a Lei Federal nº 11684. A filosofia e a sociologia foram banidas dos currículos em 1971, no período militar, e substituídas por Educação Moral e Cívica ou OSPB (Organização Social e Política Brasileira). Isso faz com que, nos últimos anos, as escolas secundaristas venham repensando a importância dessas disciplinas. É necessário o engajamento dos professores e alunos na busca da reflexão e análise dos fatos sociais e das questões humanas, almejando não apenas bons resultados no exame, mas a construção da cidadania plena tão esperada no Brasil. A sociologia e a filosofia têm muito a contribuir.

*Professor do Departamento de Ciências Sociais da UFSM e coordenador do curso de Ciências Sociais – Bacharelado

DEJALMA CREMONESE*

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