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Posted on 18 Jul,13 | 0 comments

Você se considera escravo do celular?

Você se considera escravo do celular?

A dependência do aparelho celular é, segundo especialistas, um vício. E tem até nome: nomofobia.

Andréa Ortis
Mariana Henriques

Você está conversando com os amigos no chat do Facebook para definir qual será o programa da noite. Após decidir, chega ao local, e faz check-in no Foursquare para todo mundo saber onde você está. Reúne todos para a foto da noite e, claro, posta no Instagram. Tudo pronto e, agora, já pode aproveitar a festa com os amigos. Mas, antes disso, verifica se alguém curtiu sua foto, compartilhou seus posts e olha os perfis de outras pessoas.

Você conhece alguém assim? Que passa horas e horas atualizando páginas de redes sociais? Com a popularização dos smartphones e o aumento do número ativo de celulares no Brasil (264 milhões) é cada vez mais comum ver e conhecer pessoas que criam uma relação de dependência com o aparelho celular. Esse vício tem até nome: nomofobia, termo cunhado na Inglaterra para descrever o medo de ficar sem o celular (no + mobile + fobia), ou seja, a angústia de possivelmente perder o aparelho ou a incapacidade de ficar sem ele por mais de um dia.

Ainda, um estudo realizado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil mostrou, que no ano passado, o número de brasileiros que usava internet via celular havia mais que triplicado em relação a 2011. No Brasil, 53% da população é usuária da internet móvel em smartphones. E um dos motivos seria o alto custo de computadores, tablets e internet wireless, o que acaba tornando o uso do celular mais viável. Dentre os adeptos da internet no celular, 17% contam apenas com esse tipo de conexão.

 gráfico uso celular

Fonte: Hoje Em Dia

Facilidade patologizada

Com o aumento do número de usuários de internet através do celular, ficou mais simples e rápido mandar mensagens, acessar redes sociais, bater papo com os amigos. Apesar da facilidade que as novas tecnologias oferecem, o seu uso excessivo pode causar problemas. O fato de estar sempre conectado é considerado por médicos como uma dependência semelhante à do álcool e da cocaína. O transtorno já é reconhecido pela Associação Americana de Psicólogos como Internet Addiction Disorder (Transtorno do Vício de Internet).

A psicóloga Joseane Alvim explica que o vício em internet faz com que muitas pessoas tornem o mundo virtual uma extensão do mundo real. “Você conhece alguém, anota o telefone e passa a trocar torpedos com ela. Se não está conectado fisicamente, vai estar virtualmente. O problema é que as pessoas fazem isso mais vezes do que deveriam. Elas deixam de aproveitar o ambiente em que estão”. E para Anna Lucia Spear King, psicóloga e pesquisadora do Laboratório de Pânico e Respiração do Instituto de Psiquiatria da UFRJ, “a linha que separa o uso do abuso é tênue, ou seja, mesmo que se use muito o celular, isso não caracteriza o vício. Na dependência patológica, o uso excessivo está ligado a um transtorno de ansiedade, como pânico ou fobia social”.

Mas o que motiva as pessoas a ficarem conectadas no celular o dia todo? A reposta são as redes sociais, especialmente o Facebook, que por ser a rede social mais utilizada atualmente, possibilita a postagem de inúmeras notícias, inclusive, de nós mesmos. O Facebook também permite a interconexão entre inúmeras outras redes sociais, como o Instagram, que conecta milhões de pessoas por meio de imagens feitas pelas câmeras de celulares. Outras ferramentas comuns aos aficionados por conexão são os aplicativos de troca de mensagem, como o Whatsapp.

O estudante de Ciências Contábeis, Bruno Costa, 23, admite utilizar muito o celular, entretanto, não se considera viciado. “Uso para verificar meus e-mails, conversar com meus amigos, combinar encontros, festas.” Para ele, o aparelho é apenas uma ferramenta que aproxima e facilita as relações, apesar de já ter deixado de fazer algumas coisas do “mundo real” para ficar conectado. Já a estudante Caroline Silveira, 18, se considera viciada em celular e internet. “Se eu não mexo seguido me sinto mal, como se eu estivesse totalmente desligada do mundo, como se eu fosse perder muita coisa não acompanhando o que está acontecendo pelas redes sociais”. Caroline também admite que já deixou de fazer várias coisas por estar entretida com o aparelho. “Já deixei de ler meus livros, ajudar nas tarefas de casa e até estudar para as provas”, conta.

Os problemas não acabam por aí. Além da perda de momentos importantes e afastamento da “vida real”, o vício também afeta as emoções dos usuários. Segundo Alvim, ao criar uma expectativa em torno de uma mensagem ou notificação, sofre-se um grande desgaste psicológico. “Com o tempo, esse estado de alerta constante pode se transformar em crise de ansiedade ou até em depressão”, afirma.

 

Sintomas da Dependência

■ Preocupação constante com o que acontece na internet quando está off-line;

■ Necessidade contínua de utilizar a internet como forma de obter entretenimento;

■ Irritabilidade quando tenta reduzir o tempo de uso;

■ Utilização da internet como forma de fugir de problemas ou aliviar sentimentos de impotência, culpa, ansiedade ou depressão;

■ Mentir para familiares para encobrir a extensão do envolvimento com as atividades on-line;

■ Diminuição ou piora do contato social com amigos e familiares;

■ Falta de interesse em atividades fora da rede;

■ Comprometimento das atividades profissionais e acadêmicas, como perda do emprego ou reprovação;

■ Duração dos sintomas acima descritos por período maior que seis meses.

Para os leitores que de alguma forma se identificaram com o problema ou temem cair no vício do uso do celular, há algumas dicas simples que podem ajudar a contorná-lo. Cristiano Nabuco de Abreu, coordenador do Grupo de Dependências Tecnológicas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo aconselha que as pessoas fiquem ao menos uma hora por dia longe do celular e desabilitem as notificações automáticas de e-mail e redes sociais. Também é essencial manter atividades ao ar livre e encontros presenciais com outras pessoas.

A dica vale também para os usuários que estão em um estágio mais avançado de dependência. Além disso, já existem grupos criados para ajudar àqueles que não conseguem largar o vício, como é o caso do Social Rehab. O grupo criado por três publicitários de Singapura realiza um trabalho de “reabilitação social”, auxiliando pessoas que passam muito tempo conectadas a darem mais atenção para as coisas que acontecem na vida real. Dentre as ações desenvolvidas está o “Kit Social Rehab”, com adesivos de “Curtir”, para serem colados em seus amigos ou objetos, óculos com filtros que imitam o Instagram e bloquinhos de anotação para que, com mais 140 caracteres, seja possível expressar seus pensamentos.

No Brasil também há uma alternativa brasileira para tratar o vício: o Hospital de Clínicas de São Paulo desenvolveu o site Dependência de Internet, com a participação de psicólogos e psiquiatras que podem auxiliar no tratamento de pacientes que desenvolveram alguma forma de dependência tecnológica.

Mas, se você quiser mesmo deixar de ser um “viciado em celular” é preciso refletir, antes de tudo, sobre os hábitos. Pequenos gestos como deixar o smartphone desligado ou até em casa pode melhorar muito as relações interpessoais, afinal, não há nada melhor do que uma interação ao vivo e a cores, ou seja, a face a face.  (N)

 

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*Foto de Capa: News.com.au

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