Programação Orientada a Interdisciplinaridade

PorJoel Silva

Programação Orientada a Interdisciplinaridade

E se eu te dissesse que a computação é apenas um meio para algo maior e não o fim? Um pouco confuso não é? Nesta redação quero lhe trazer a importância da aplicação da computação para solucionar problemas de nosso cotidiano ou trabalho, e mostrar para você que a computação, com raras exceções, não é o produto ou o resultado de algo, mas sim a ferramenta fundamental para transformar e inovar processos e serviços prestados, e para que se use esta ferramenta é fundamental que tenhamos conhecimentos e relações com outras áreas de conhecimento.

Desde sua origem, a Computação sempre demonstrou sua vocação interdisciplinar, contribuindo com o desenvolvimento de métodos e produtos para solução de problemas nas mais diversas áreas. Desta forma passamos a explorar uma infinidade de recursos e formas de organizar dados e gerar informações, estas capazes de facilitarem a resolução dos problemas dos usuários. A necessidade de tratar mais quantidades de dados e informações fez com que os processadores e arquiteturas se desenvolvessem a fim de atender esta demanda. A necessidade de trocar informações entre pessoas de diversas partes do globo fez com que surgisse a Internet, e tantos outros exemplos de áreas que envolvam a computação, até mesmo distintas entre si que podemos citar.

No entanto o que podemos ver em comum com estes exemplos mencionados é que houve uma necessidade, proveniente de uma área externa a computação, que fez com que a tecnologia caminhasse a ponto de buscar uma solução computacional.

Com isso, é possível identificar a necessidade da ruptura das áreas de conhecimento como forma de produzir inovação.

O ciclo “desenvolvimento científico + sociedade” é uma relação dinâmica. Às vezes a tecnologia determina o desenvolvimento da sociedade, e em outras a sociedade demanda o desenvolvimento da tecnologia, entretanto, em ambas as situações, é necessário que se ultrapassem as barreiras das áreas de entendimento já conhecidas e passar a explorar outras, para que se encontre uma solução aos problemas existentes.

Bom, mas qual é nosso papel nisso tudo como meros estudantes ou entusiastas na computação? A grosso modo: temos tudo a ver. Temos como necessidade de, assim como aprender programação e seu uso, aprendermos a interdisciplinaridade e além disso, saber usá-la no nosso dia-a-dia, seja na faculdade, no trabalho e até mesmo no nosso cotidiano.

É fundamental que saibamos nos relacionar com as mais diversas áreas e mantermos um canal de comunicação ao mundo externo ao nosso, para que possamos entender além de códigos, o funcionamento do todo que envolve, desde a aplicação que desenvolvemos até mesmo o impacto que esta causa aos seus usuários. Conhecer, mesmo que de forma superficial as áreas correlatas ao trabalho que desenvolvemos facilita não só a compreensão do que estamos fazendo, mas também a forma como pensamos a aplicação, resultando em um trabalho notoriamente melhor, pois está sendo produzido conhecendo os objetivos e metas que este software está se propondo a atingir.

Os problemas da sociedade atual são muito complexos para que apenas uma área do conhecimento seja capaz de resolvê-los. E isso nos remete mais uma vez a importância do coletivo. Profissionais críticos, competentes e capazes, que usam da transdisciplinaridade, favorece a inovação na construção de soluções aos problemas propostos. E estas características fortalecem a equipe e as pessoas que estão relacionadas com trabalho, pois propicia a compreensão das tarefas de cada um, assim como as dificuldades de cada uma delas, compactuando com que todos arregacem as mangas e trabalhem juntos.

E com essa força motriz, vemos inúmeros exemplos de inovação, como empresas que adentram um nicho ou problema corrente da sociedade e, através do uso da tecnologia como ferramenta, implementam soluções. Empresas como Spotify, Nubank e Airbnb são exemplos simples e claros sobre o uso da computação atreladas a outras áreas (música, serviços financeiros e hotelaria, respectivamente) que se destacam por trazer soluções pensadas do início ao fim na satisfação de seus usuários, trazendo espaços de coworking e uma forte cultura de colaboração dentro de suas equipes de desenvolvimento, propiciando a interação entre todas as áreas necessárias para fornecer seus serviços, resultando em inovação e satisfação, tanto de colaboradores quanto de clientes.

Na academia temos acesso a infindáveis fontes de colaboração, seja dentro de nossas próprias áreas de atuação quanto em áreas de conhecimento de outros centros de estudo. Além da centralização destas áreas nos cursos, a universidade fornece oportunidades como jornadas acadêmicas, palestras e eventos que envolvem uma enorme gama de áreas.

E foi em uma dessas oportunidades que obtive experiências que me fizeram desenvolver esta redação sobre a correlação de áreas. A JAI, Jornada Acadêmica Integrada da UFSM, tive acesso a pessoas de diversas áreas, como estudantes de Direito e Desenho Industrial que, até antes deste contato, não conseguia relacionar estas áreas com a Computação, mas no momento que conheci melhor o trabalho que estas áreas promovem, percebi a intrínseca importância da relação de nossos trabalhos com o trabalho de outras pessoas.

E caso você se interessou por este assunto e gostaria de ler mais sobre a interdisciplinaridade relacionada à computação,  vale a pena dar uma olhada na edição de fevereiro de 2016 da revista da Sociedade Brasileira de Computação (SBC) que aborda o tema em diversas áreas da computação.

 

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