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FRONTEIRA, POLÍTICA E SOCIEDADE

 Descrição/caracterização:

Nesta Linha de Pesquisa incluem-se pesquisas que proponham estudos históricos de processos políticos, sociais e culturais. Estes processos envolvem tanto a política institucionalizada e os embates pela direção dos governos, por direitos e cidadania, como também as relações sociais politizadas em diversos campos, tais como mundo do trabalho, família, guerra, ideias, movimentos sociais, etc. Nesse sentido, a política guarda uma relação inextrincável com as hierarquias e com as lutas sociais, seus modos de estruturação, reiteração e transformação. Esses campos, política e hierarquias e lutas sociais, se ligam ao estudo das relações sociais de aliança, reciprocidade e conflito que desempenham papeis importantes no mundo da política e em outras áreas do social, como os processos econômicos, por exemplo. Devota-se especial atenção à relação desses processos políticos e sociais com a fronteira. Esta é dotada, aqui, de uma ampla gama de sentidos. Trata-se da fronteira-região, espaço de contato, intercâmbio, mestiçagem e troca, onde tem lugar variados fluxos de pessoas, mercadorias, ideias, tensões entre Estados, alianças. Também a fronteira como o espaço do outro e do “nós”, da alteridade em diálogo com a qual se constroem identidades e consciências sociais. Nos referimos  tanto  às regiões de fronteira entre diferentes sociedades ou àquelas zonas que contém limites territoriais e políticos, mas também as zonas de fronteira agrária, ambiental e cultural. Trabalhar os temas da fronteira e da sociedade como um universo complexo de relações, de diferenças e semelhanças, de divergências e aproximações, de permanências e mudanças, do individual e do coletivo, nos quais estão presentes  o político, o econômico, o jurídico, o militar, o social, o cultural. Enfim, são relações entre e dentre sociedades que se reconhecem a partir da alteridade através de uma relação de complementaridade, oposição, similaridade, antagonismo e afinidades, em que se define ou se mascara as questões intrínsecas que envolvem o poder. Nestas perspectivas promovem-se também estudos da produção historiográfica, dos projetos e ações no que tange a integração intelectual, científica e tecnológica.

Relação com a área:

No elemento fronteira um aspecto a destacar nas relações ou no estudo da integração, pois a constituição de regiões de fronteira implica na demarcação de limites que, no entanto, não evitam o contato entre populações, estados e culturas. Na verdade, acabam por promover formas específicas desse contato. Desta forma, essas regiões são palcos de encontros culturais onde a diversidade é um traço marcante. A própria experiência dessa variedade cultural surge como um componente das construções identitárias aí efetuadas, sejam elas étnicas, nacionais, profissionais ou de classe.
Por outro lado, as relações entre estados, as já referidas construções identitárias, as relações sociais e econômicas forjadas no espaço de fronteira são produtos e produtores de relações de poder. As próprias fronteiras políticas não devem ser tomadas como um dado a priori. Ao contrário, devem ser analisadas na sua historicidade. Assim, as ideias, os valores, as pessoas e as mercadorias que circulam por esse espaço fronteiriço são partes integrantes da própria construção histórica das fronteiras políticas.
Da mesma forma são complexas as relações sociais e de poder nos processos de integração, tanto as que se referem à integração internacional, intra-regional e inter-americana, como a integração social e econômica intra-nacional, a integração nacional  das regiões periféricas ou da periferia-centro,    a integração-coesão social e a integração cultural. Nesse sentido, as questões de territorialidade, espaço e cultura estão presentes  enquanto elementos e construções que permitem que a compreensão do político vá além de seu conceito da historiografia tradicional, abarcando o imaginário, a representação, a produção e a recepção dos discursos, presentes  nas relações de poder.

  

CULTURA, MIGRAÇÕES E TRABALHO 

Descrição/caracterização:

A linha de pesquisa Cultura, Migrações e Trabalho tem por finalidade indagar os diversos deslocamentos migratórios efetuados por agentes e grupos sociais, bem como suas relações com os mundos do trabalho: movimentos espaciais de populações, mobilidade entre grupos e estratos sociais, entre campos do saber, entre práticas profissionais e movimentos sociais. Assim, coloca-se em evidência a atuação dos sujeitos em um contexto de diversidade social e cultural, com seu potencial de significação e ressignificação de valores e representações, de produção de conflitos e novas formas de hierarquização.  As relações se dão através de diversos espaços, em especial o mundo do trabalho, no qual evidenciam-se as questões étnicas, de gênero e de sociabilidade. Ao mesmo tempo, estes grupos portadores de idiossincrasias de diferentes matizes, também estabelecem formas de relações de poder entre grupos e destes com o Estado.  Os mundos do trabalho aparecem como um ambiente a partir de onde essa diversidade pode se articular, em que as relações de poder estão presentes também na própria organização da estrutura legal/burocrática do Estado, das organizações culturais, das corporações e grupos representativos. No caso das migrações, os deslocamentos são compreendidos como parte dos diversos movimentos de grupos humanos, sejam populacionais, culturais, econômicos, de relações entre fronteiras que não são só as demarcadas, mas as que diferenciam e aproximam esses diversos contatos. Por outro lado, as próprias construções identitárias operadas pelos grupos sociais encontram nas solidariedades étnicas, de classe, religiosas ou de grupos, algumas de suas matrizes mais importantes de reconhecimento, juntamente com aquele que é o principal ícone político de identificação da modernidade: a nação.  A linha de pesquisa procura ainda investigar os fenômenos históricos de constituição, difusão, recepção e trocas culturais (nacionais, internacionais, regionais, continentais, de classe, de gênero, de etnia...), a partir das diversas relações de poder inerentes aos processos de criação culturais, seja nas suas dimensões de cultura material, seja na perspectiva simbólica.

 

Relação com a área:

Os diversos deslocamentos que são um dos objetos desta linha de pesquisa (movimentos espaciais de populações, mobilidade entre grupos e estratos sociais, entre campos do saber, entre práticas profissionais), operam como produtos/produtores de padrões culturais e relações de poder. As hierarquias sociais são escalas de poder, mas também são “artefatos culturais”, ou seja, são culturalmente apreendidas e se constituem, elas mesmas, em produtoras de símbolos que geram efeitos na ordenação da sociedade. 
As pessoas que migram carregam consigo valores que irão ser re-significados quando do contato com a sociedade (ou o meio social) receptora. As migrações tendem a deflagrar questões ligadas à alteridade e à construção de uma identidade cultural a partir do contato com a diferença. Essa mesma questão que envolve identidade/alteridade muitas vezes se constitui em base para as conformações de hierarquias de poder construtoras de formas desigualdade social.
Por sua vez, os saberes e práticas profissionais, bem como todas as relações no mundo do trabalho, envolvem a formação de solidariedades, de culturas de classe que exercem papel importante na formação de grupos cuja luta política, em seu sentido amplo, é plena de consequências para os processos históricos existentes na sociedade englobante. As relações de trabalho estão permeadas por relações de poder em dois sentidos: tanto em uma leitura mais atenta ao aspecto estrutural, quanto no que se refere à experiência histórica dos sujeitos. No primeiro caso, atenta-se para a divisão desigual dos recursos na sociedade, engendrada por relações de trabalho específicas. No segundo caso, a experiência do trabalho e a formação de identidades de grupos a partir dessa experiência orienta as relações de conflito e solidariedade que envolvem os trabalhadores , nos mais diversos âmbitos e nos diferentes sistemas sociais. É nesse contexto da experiência social que vem sendo produzidas reflexões historiográficas importantes no que tange à formação de culturas do trabalho, elas mesmas atravessadas por outras clivagens culturais, tais como o gênero e a etnicidade. Assim, ganham relevância os valores e conceitos através dos quais os agentes do mundo do trabalho constroem sua compreensão de mundo e suas lutas sociais.

 

MEMÓRIA E PATRIMÔNIO 

Descrição/caracterização:

Nesta linha incluem-se pesquisas que proponham estudos históricos acerca da memória e do patrimônio material e imaterial historicamente constituído. O ser humano, na condição de agente histórico seleciona, escolhe e arbitra os elementos que o representam em classes, grupos, etnias, sociedades, ambientes, que são escolhidos para criar, legitimar, identificar ou reforçar culturas, materializando-se através da eleição dos patrimônios culturais e ambientais. Da mesma forma, estes bens eleitos, tomados como patrimônio, são dotados de materialidade, e seu estudo pode ser realizado pela vertente da cultura material, dos métodos e técnicas da arqueologia, da expografia em museus, da teoria da história, da fenomenologia da memória, das técnicas de conservação e restauro em arquivos, entre outras possibilidades. Propõe-se, ainda, indagar a memória como construção social de lembranças e de esquecimentos, especialmente no contexto de proliferação dos estudos sobre patrimônio e do boom da memória, bem como sua relação com diversas formas de construção da consciência histórica. Nesse sentido, trata-se de pensar a patrimonialização como um processo em que a produção de lugares de memória está relacionada com os diversos usos que se faz do passado.

 

Relação com a Área:

O patrimônio e a memória são campos semânticos polissêmicos, nos quais diversas disciplinas tomam lugar. Na História, a herança cultural e ambiental é tomada como um processo histórico no qual devem ser revelados os atores sociais e suas motivações, além dos agentes não humanos, bem como os legados propriamente ditos que ficam a posteriori. As dinâmicas destas representações implicam o exercício do poder no campo cultural. Trata-se de entender, ainda, que diversos elementos não são alçados à categoria de patrimônio, mas são representações materiais de sociedades pretéritas, que nos levam ao estudo da cultura material como elemento fundante da apropriação do meio pelo homem como também sua constituição a partir dele. 


DESTAQUES

 

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