Analisando adaptações: Jogos Vorazes

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Por Denys Schmitt

Olá, leitores! Esta é a estreia da Analisando adaptações, primeira coluna da Revista LAPPE! Aqui você vai ler, com certa dose de humor, análises sobre produções cinematográficas baseadas na literatura. Discutiremos como tal filme se saiu adaptando tal livro, se isso deu certo ou não, se os espectadores/leitores apedrejaram a tela do cinema ou saíram da sala com um sorriso no rosto. Para começar, falo sobre Jogos Vorazes, adaptação da obra distópica de Suzanne Collins, cuja sequência estreia nos cinemas brasileiros no dia 15 deste mês. Espero que gostem!

Katniss e Peeta em cena de Jogos Vorazes. Lionsgate divulgação.

Katniss (Jennifer Lawrence) e Peeta (Josh Hutcherson) em cena de Jogos Vorazes. Lionsgate divulgação.

É raro que um filme consiga complementar um livro. Quer dizer, A Toca pegando fogo ou a turma do James matando humanos não tiveram muito a nos acrescentar, tiveram? Jogos Vorazes, através de uma pequena informação do segundo livro da saga de Suzanne Collins, consegue expandir o universo assimilado pela sua protagonista para mostrar-nos Seneca Crane, o Idealizador da competição-título, comandando os Jogos em seus erros e acertos até alcançar seu irremediável destino. As conversas de Seneca com o Presidente Snow  também nos fornecem boas dicas sobre o ambiente controlador e opressor no qual a história é ambientada.

Jogos Vorazes é prova definitiva de que filmes que não seguem o livro são fracassos de público e crítica. Isso porque Jogos Vorazes foi fiel ao livro, e, numa época em que grandes franquias têm naufragado já no primeiro capítulo, obteve grande repercussão mundo a fora, bem como sequências garantidas.

O diretor Gary Ross foi muito eficiente ao apresentar o contraste entre o empobrecido Distrito 12, lar dos protagonistas, e a luxuosa Capital. Mais do que no livro, percebemos aspectos relacionados à opressão e à humanidade. O senso de urgência que o livro constrói na mente do leitor foi perfeitamente transposto para o filme, o que nos faz ansiar pela vida de Katniss e Peeta a cada momento.

O mais importante de Jogos Vorazes, como adaptação, é que o filme foi concebido já com o intuito de ser fiel ao livro e, mais do que isso, honrar cada elemento presente na narrativa – como o gato Buttercup e o mercado negro Prego. As cenas da arena destacam-se por fazer o espectador sentir-se exatamente como sentiu-se no livro: na pele da protagonista. Garry Ross nos brinda com closes, ângulos de câmera e efeitos sonoros que nos remetem aos mais profundos sentimentos de Katniss. Elementos sutis, como a redução do áudio no momento em que a garota fica momentaneamente surda, fazem toda a diferença.

Das poucas mudanças, a única que realmente me decepcionou foi a cena dos bestantes, aqui apresentados como meros cachorros furiosos que surgem através de um comando de computador (sendo que momentos antes o presidente Snow havia dito que a Capital necessitava dos recursos que os distritos produziam, então, tipo…?). No livro, os bestantes são lobos com as características dos tributos recentemente mortos nos jogos, e eu até havia acatado esta mudança, imaginando que aquilo seria difícil de transpor para a tela, até que vi as artes conceituais que um artista do filme havia criado para os animais. Eram artes perfeitas que teriam ficado ótimas em tela, contribuindo para um clímax arrebatador. O maior problema de Jogos Vorazes, a propósito, se deu no seu clímax, para o qual fomos direcionados durante toda a narrativa, mas que acabou por deixar a emoção e a empolgação de lado – especialmente na cena das amoras, na qual senti a sincera falta de uma trilha sonora que evocasse o suspense.

Porém, com seus incríveis acertos, Jogos Vorazes foi um ótimo filme, e só podemos torcer para que a sorte continue ao seu favor e Em Chamas – o segundo filme – mantenha o mesmo nível de qualidade. Vale ressaltar que A Esperança – terceiro, último e, em minha opinião, pior livro da série – foi divido em duas partes no cinema por motivos claramente capitais.

Na coluna do próximo mês: uma análise das adaptações cinematográficas da série Harry Potter!

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