Analisando adaptações: Percy Jackson e o Ladrão de Raios

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Por Denys Schmitt

Heey, você conhece a história do garoto disléxico que descobre ser um semideus filho de Poseidon? Você conhece a emocionante saga de cinco livros na qual os deuses gregos estão vivos em pleno século XXI, que nos traz uma abordagem moderna e muito original da mitologia grega? Pois bem, saiba que o filme destruiu isso tudo.

Logan Lerman interpreta o filho de Poseidon em Percy Jackson e o Ladrão de Raios. 20th Century Fox divulgação.

Logan Lerman interpreta o filho de Poseidon em Percy Jackson e o Ladrão de Raios. 20th Century Fox divulgação.

Nenhum problema de adaptação de livros para o cinema é tão sério quando Percy Jackson e o Ladrão de Raios. Comecemos pelas idades dos protagonistas. De doze anos, os garotos pulam para dezessete ou mais. Annabeth, antes loira de olhos cinzentos, se transformou em uma guerreira alta e esbelta, morena e com o comportamento da Xena. Apesar da etnia do Grover ter sido alterada, o grande problema foi ele ter se tornado um sátiro malandro e muito mais confiante do que o livro apresenta.

Os deuses do Olimpo, originalmente displicentes em relação aos filhos, se tornaram pais politicamente corretos e preocupados com suas crianças, inclusive incentivando-os com palavras de conforto quando eles estão em “apuros”. Não vamos mencionar o comportamento nada grandioso de Sean Bean na pele de Zeus, tampouco a mediocridade – e a preguiça – na composição do figurino dos deuses.

A primeira batalha do Percy, que representava sua inclusão no mundo dos monstros e das missões, foi esculachada quando o inimigo resolveu simplesmente fugir quebrando a janela da sala. A Colina Meio-Sangue se transformou em um Terreno-Baldio-Meio-Sangue. O Acampamento Meio-Sangue é absolutamente ridículo, uma vez que os deuses simplesmente não poderiam ter dado à luz a tantos filhos (lê-se “figurantes”) vivos de uma vez só. Para completar, em vez de Percy receber uma missão para recuperar o raio-mestre de Zeus, como no livro, ele foge do Acampamento em busca da sua mãe raptada sem dar a mínima para o destino da civilização ocidental!

A jornada do trio principal é reduzida a uma busca pelas até então inexistentes Pérolas de Perséfone, que os coloca em duas ou três situações de perigo no qual alguns monstros pulam do segundo livro para este primeiro filme, culminando em um duelo final que, apesar de visualmente agradável, corta qualquer clímax e exclui a menção a Cronos, o grande vilão da série. Mas o maior choque foi ver o humilde elevador do Monte Olimpo transformado em uma “super entrada” descoberta pela mãe do Percy (uma mortal para a qual Poseidon não teria revelado a localização do império dos deuses).

Com tanta manipulação na personalidade dos personagens e tantos cortes comprometedores na história, o filme de Percy Jackson teria algum ponto positivo? A interpretação do ator principal, Logan Lerman, que realmente trabalhou o melhor que pode com roteiro preguiçoso que lhe foi oferecido. Também aprovo a cena do Cassino Lótus, melhorada em relação ao livro, embora não houvesse livro nenhum para ser seguido àquela altura do campeonato.

E adivinhem, meus caros, quem é que comandou essa bagunça toda? Chris Columbus, o cara que acertou em cheio ao conceber o mundo cinematográfico de Harry Potter! É bem feito que tenha sido destituído de seu cargo de diretor no segundo filme da série, Percy Jackson e o Mar de Monstros, que apresenta uma ligeira melhora em relação ao seu antecessor, uma vez que personagens excluídos finalmente deram as caras e que a Annabeth está loira como sempre deveria ter sido.

Na coluna do próximo mês: uma análise da adaptação de Eu Sou o Número Quatro!

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