E-books: Um mercado em ascensão

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Em tempos de revolução digital, sabe-se da importância do mercado de livros digitais no Brasil, que é considerado um dos maiores consumidores de internet do mundo e o sétimo país com maior potencial de vendas pela internet. Os livros digitais são importantes na medida em que criam novas experiências de leitura e compreensão de textos, permitem interação, além de possibilitar formas mais baratas de publicação para autores independentes.

Muitas editoras, com vista neste mercado crescente, já estão trabalhando de forma a suprir as necessidades deste público.

Uma notícia publicada no Estadão cita uma projeção para 2013, feita pela empresa de consultoria alemã Rüdiger Wischenbart, para a edição mais recente do Global E-book Report, em que os e-books deveriam chegar a 2,5% do total do faturamento do segmento no mercado editorial brasileiro. Outros motivos para acreditar no crescimento deste mercado é que a Amazon vai começar a vender livros impressos no Brasil, o que ajudará nas vendas de e-books, mas poderá causar problemas às livrarias tradicionais. Além do mais, outras coisas irão aquecer o mercado de e-books como a compra de livros digitais pelo governo através do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) a partir de 2015 e a alta difusão de tablets e smartphones no Brasil que em 2013 vendeu 7,9 milhões de tablets e 35 milhões de smartphones segundo dados da IDC.

 

Bate-papo com Daniela Klieman

Daniela Klieman, proprietária da Livraria Athena nos concedeu uma entrevista, na qual fala sobre o mercado editorial digital e impresso no contexto de Santa Maria:

Com a crescente popularização de smartphones, suportes de leitura digitais e a utilização de arquivos de textos em pdf, você percebe que isso prejudica as vendas de livros físicos na livraria?

“Acredito que sim, tudo que concorre em termos de leitura atrapalha um pouco sim. Antigamente, os estudantes tinham que comprar o livro pra poder estudar. Hoje é disponibilizado fragmentos do livro em pdf pela internet, ou até o próprio professor encaminha. Só que essa semana saiu um artigo na Zero Hora sobre uma pesquisa sobre os livros impressos e os digitais. Pesquisas feitas em várias universidades de todo o mundo. E até o texto propõe “livro: 1, digital: 0″. Ou seja, as pesquisas acreditam que ele facilita a vida de muita gente, mas ele atrapalha muito na compreensão. Porque tu tá lendo aquilo que é digital acaba se dispersando porque é uma tela. A gente sabe, hoje tu já tá no automático, no facebook ou em qualquer outro lugar. Tu tá ali, tá manipulando o tempo todo e acaba se dispersando em muitos outros lugares. Outro porque, se tu estás lendo em uma tela em pdf, tu não consegue marcar, não consegue registrar e nem fazer outras anotações então acaba também prejudicando a compreensão do conteúdo.   Se em vendas atrapalha? Sim, atrapalha porque é uma concorrência. Antigamente, não tinha e hoje tem. Mas, também não sei se vai ser o que todo mundo fala, se é o fim do livro impresso e que a partir de agora é o digital que vai comandar as vendas. Eu acho que não, até porque o público de leitores tem crescido bastante. E aí a gente vê o público infantil e o mercado editorial infantil. E aí uma vez que tu tomas o gosto pelo livro impresso, tu não vai querer ir para o digital, e as crianças de hoje, elas tem às vezes um domínio da internet, dos e-books, dos digitais, muito maior do que nós tínhamos. Só que eles não largam mão do livro impresso. Eu posso tá errada, mas eu acredito muito nisso. É um primeiro round, mas eu acho que esse jogo aí do livro digital com o impresso, o impresso ele tem muito mais a ganhar do que o digital.”

 

Você sente um impacto nas vendas dos livros físicos após a crescente comercialização de e-books por parte das editoras?

“A gente não conseguiu avaliar ainda números desse impacto, se é realmente grande ou não. O nosso olhar, pelo menos a minha visão quanto aos e-books, claro tira uma parcela do mercado sim, mas eu não vejo um crescimento tão grande, posso estar enganada, é recém um início. Mas pelos clientes que vêm até a livraria não há preocupação, eles preferem o livro impresso.”

 

Há procura de e-books na livraria? Existe uma previsão de inserir a venda de e-books através de um e-commerce?

“Não, procura por e-book não. Tem uma procura muito baixa em relação à mp3, livros em formato mp3 para escutar no carro ou em viagens, mas e-books não, geralmente o consumidor que pensa em e-book vai diretamente à compra via internet. Na segunda questão, sim, a gente tá com um empreendimento. Estamos formatando, criando o site da livraria, num primeiro momento voltado só pra venda de livros impressos mesmo e talvez num segundo momento começar aos pouquinhos vender e-books também.”

 

Novo mercado, velhos problemas

Os motivos principais de se comprar poucos livros impressos no Brasil são o preço e a distribuição, as vendas de e-books no Brasil também enfrentam o mesmo problema em relação ao quesito preço, e ainda de acesso ao suporte para leitura, já que os aparelhos até então continuam caros.

Sendo assim, pergunta-se: É possível acreditar que o mercado de livros digitais vai ganhar impulso em um país em que nem o mercado de livros impressos funciona direito? Talvez o próprio mercado editorial possa responder esta pergunta com o passar dos anos.

Sabemos que o mercado de livros digitais no Brasil hoje é uma grande aposta de livrarias, editoras e afins e que ele cresce cada vez mais ao redor do mundo. Mas, para que estes sejam consumidos aqui é preciso variedade, preço baixo, mais títulos brasileiros em circulação, além de outros problemas que devem ser solucionados. Espera-se que universidades invistam cada vez mais na formação de novos profissionais de editoração e que estes já venham preparados para trabalhar neste mercado digital tão promissor e lucrativo. E principalmente, que não pensem que o seu negócio está apenas voltado ao livro, e sim, ao conteúdo conforme Edinei Procópio cita em seu livro O Mercado Editorial e as Mídias Digitais.

 

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Texto: Edimar Oliveira, Letícia Sperotto, Luísa Spilimbergo, Pablo Mello, Patrick Hundertmarck e Rafael Saggin

Fotos: Patrick Hundertmarck

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