VII - SUTURAS

1 - Interrompidas

Os nós são atados e os fios cortados após uma ou duas passagens através dos tecidos.

2 - Contínuas

Possui um nó inicial, o fio não é cortado, estendendo-se do ponto de origem após várias passagens pelos tecidos, onde o fio é cortado após o nó final.
De acordo com a aparência de suas bordas, as suturas podem ser classificadas em:
Nas suturas interrompidas, cada nó é uma entidade separada, e o rompimento de um ponto não envolve a estrutura dos outros, mas ao acontecer, leva a destruição de toda a linha de sutura.

São fáceis de serem colocadas e possuem a capacidade de ajustar-se a tensão em cada sutura, de acordo com a tensão nas margens.

As suturas contínuas usam menos material, o que minimiza a quantidade de material de sutura nos nós e diminui o tempo de cirurgia. As suturas contínuas também fazem um melhor selamento ao ar e água.

A habilidade de uma sutura inverter ou everter as bordas pode não ser indicada, dependendo da região anatômica. A inversão pode ser desejável no fechamento de uma víscera oca, porém, não é aconselhável para o fechamento da pele.

3 - Colocação das suturas

Após o fechamento de uma ferida, as bordas tornam-se enfraquecidas pela colagenólise e o suporte das suturas está enfraquecido.

As suturas colocadas a uma distância de mais de 0,5 cm das margens da ferida, aparentemente não são afetadas pela colagenólise.

A inflamação também contribui para diminuir a tensão, é aconselhável colocar as suturas mais de 0,5 cm afastadas das bordas em feridas muito traumatizadas.


A tensão máxima junto aos tecidos é também obtida quando as suturas são colocadas a uma distância de 0,5 cm uma das outras. Quando colocadas mais próximas que 0,5 cm, causam retardamento da cicatrização devido a reação tecidual e comprometimento da circulação sangüínea nas bordas da ferida.

Uma boa regra a seguir, é colocar o número de suturas suficiente para dar uma boa captação das bordas.

4 - Seleção da sutura

A escolha do tipo de sutura é muito importante.

Devido a forma helicoidal, as suturas contínuas têm uma tendência de reduzir a microcirculação das bordas das feridas. Este fato prolonga a fase destrutiva da cicatrização aumentando a formação de edema.
Um ganho mais rápido em força de tensão é obtido com as suturas simples interrompidas.

Estatisticamente, as suturas simples interrompidas são mais fortes que as contínuas.

De maneira geral, as suturas interrompidas são preferidas quando se quer mais tensão, mobilidade dos tecidos e distensibilidade. É a mais usada de todas as suturas e também a mais versátil.

Quando colocada de maneira apropriada, mantém uma boa aposição, tem ação independente das outras na linha de sutura e permite mobilidade tecidual entre as suturas. A técnica é fácil e rápida.

A sutura é colocada direcionando a agulha através do tecido a mais de 0,5 cm da borda incisada.

A sutura é inserida perpendicularmente através do tecido de um lado, passando através de igual quantidade de tecido no lado oposto e o nó é amarrado. Os nós devem ser colocados fora da linha de incisão.

As pontas dos fios devem ser deixadas longas (0,5 a 1,0 cm), ou curtas se o nó ficar escondido. O próximo ponto interrompido deve ser colocado a uma distância igual ao tamanho do ponto anterior (ex: 0,5 + 0,5 cm = 1 cm de distância). O sentido da colocação dos pontos deve ser da direita para a esquerda em incisões horizontais, se destro, ou da esquerda para a direita, se canhoto.
Se a incisão for vertical, usualmente se inicia a sutura da porção distal para a proximal da incisão.

Esta é uma sutura de aposição, porém, se tiver pressão em demasia, poderá causar inversão indesejável, complicando a cicatrização.

A colocação apropriada dos pontos mais uma tração moderada nos nós, permite um resultado bem satisfatório. Quando internos, os nós podem ser palpáveis por algum tempo.

Usada em suturas internas (vísceras) e externas (pele).

Tensão correta nas suturas. Ë uma sutura que promove uma leve eversão se colocada de maneira apropriada. Ela forma um quadrado perfeito, com ambas extremidades de sutura saindo pelo mesmo lado ou borda da ferida.
Está indicada para suturar feridas sob tensão moderada.

Promove uma aposição completa e precisa das bordas, com leve eversão após a confecção dos nós.
A primeira passagem da agulha é feita a uma distância maior do que 0,5 cm da borda e a Segunda passa de 2 ou 3 mm da borda.
É uma sutura de aposição, sendo uma modificação do “U” horizontal.

A agulha penetra de um lado da incisão e passa perpendicularmente através da mesma, e uma segunda passagem é feita através dos tecidos, paralela e de 5 a 10 mm da primeira passagem.
É uma combinação de suturas de aposição com sutura de tensão. Faz um movimento de espiral.

Sua principal indicação é quando a pele requer tensão moderada para aposição.
O componente longe atua como redutor de tensão, ao passo que o perto faz aposição.
A tração excessiva dos fios deve ser evitada, para prevenir a inversão da incisão. A força de tensão obtida com esta sutura é maior do que a obtida com sutura interrompida simples.

    Perto-longe-longe-perto.
    Perto-longe-longe-perto. Perto-longe-longe-perto.
Longe-perto-perto-longe
Longe-perto-perto-longe.

Longe-longe-perto-perto
Longe-longe-perto-perto.;


6 – Jaquetão

Indicada principalmente na redução de onfalocelle em bovinos e eqüínos.

7 - Sutura em oito



    Isolado Simples
    Ponto isolado simples.
Isolado simples com reforço
Isolado simples com reforço.

Consiste em usar uma série de pontos interrompidos com nós no início e no final da sutura.

A agulha é introduzida através dos tecidos, perpendicularmente à linha de incisão.
A sutura é reintroduzida na mesma direção que a anterior. No final da sutura, as pontas do fio são amarradas com, no mínimo quatro camadas de nós (ou seja, duas de cirurgião). Desta maneira podem ser executadas com maior facilidade e rapidez.
São indicadas para o fechamento de tecido subcutâneo e fáscia desde que não haja planos de tensão. Os nós são geralmente escondidos (ou sepultados).
São também usadas em tecidos que requeiram mínima força de segurança, porém com aposição máxima.





É uma modificação da sutura contínua simples. A cada passagem através dos tecidos, o fio é unido ao ponto passado anteriormente.
A vantagem desta sutura é a grande estabilidade na eventualidade de falha de um nó ou de uma porção de linha de sutura. Quando isto acontece, necessariamente não resulta em perda de toda a sutura.

Uma grande estabilidade é obtida devido aos tecidos apresentarem menor tendência a movimentarem-se.
Pode ser usada na pele quando houver indicação para sutura contínua e um certo grau de eversão.
A sutura inicia como um ponto isolado simples e avança aproximadamente 1 a 2 cm, e uma segunda passagem é feita através dos tecidos perpendiculares à incisão. Após a saída dos tecidos, a agulha avança de 1 a 2 cm e é inserida perpendicularmente à linha de incisão na direção contra-lateral.

As suturas intradérmicas têm sido incorretamente chamadas de subcuticulares. Como diz o nome, sutura intradérmica são colocadas sob a derme no tecido subcutâneo.

As suturas intradérmicas e subcutâneas são usadas mais freqüentemente na forma contínua.

A sutura inicia escondendo o nó no interior dos tecidos, seguindo em formato de zig-zag, com a agulha colocada perpendicularmente à incisão, porém, avançando paralela à incisão.


Fios de nº 3-0 ou 4-0 podem ser usados, e ao término, o nó é novamente sepultado. São usadas quando existe muita tensão na linha de sutura e for necessária alguma força para o fechamento da ferida. Infelizmente isso resulta em esquemia local, corte das bordas e deiscência das feridas. Nesses casos, o uso de suturas de tensão é altamente benéfico.

Elas são colocadas longe das bordas da pele, de maneira a não comprometer o suprimento sangüíneo. As bordas da pele são suturadas por meio de pontos interrompidos simples.

Como suporte adicional a estas suturas de tensão, podem ser usados botões, tubos de borracha, plástico ou silicone colocados nas suturas antes dos nós.

A sutura de Donatti ou “U” vertical promove bom suporte aos tecidos, com mínima redução do suprimento sangüíneo.
Suturas Viscerais
São muito usadas em anastomose intestinal, quando somente uma camada de sutura é desejável.

O ponto é introduzido como uma sutura simples interrompida, passando da serosa através da muscular e mucosa ao lume do órgão. A sutura volta do lume através da mucosa, à muscular antes de cruzar a incisão. A agulha é reintroduzida na muscular no lado oposto e continua através da mucosa do lume. É então reintroduzida através da mucosa, muscular e serosa para sair na superfície externa. O fio inicial e o final são apertados de maneira que a sutura penetre nos tecidos. É uma sutura invaginante (sero-muscular), do tipo interrompida vertical, sendo indicada para o fechamento de vísceras ocas.



A sutura é aplicada do lado de fora do lume, com a agulha passando pela serosa, muscular até a submucosa, retornando a muscular e serosa para fora da víscera no mesmo lado. A agulha é então passada pela incisão ao lado oposto e introduzida na superfície serosa adjacente à incisão. É passada através da serosa, muscular e submucosa e daí à serosa distal.

O fio inicial e o final são atados. Um dos fios é cortado curto e a agulha avança com o outro em forma contínua vertical ao redor da víscera. Este mesmo tipo de sutura pode ser feito como sutura interrompida.

Uma sutura de Lembert com somente duas passagens paralelas e reversas no tecido (“U” interrompido invertido), é chamada de sutura de Halsted. A sutura de Connell penetra o lumen da víscera, porém, a Cushing passa somente ao nível da submucosa (a camada mais resistente nas vísceras ocas). São suturas contínuas invaginantes, de forma horizontal.

Iniciam com uma sutura “U”, vertical invertida, e do ponto de saída da agulha inicia a sutura que avança paralela à linha de incisão e é introduzida na serosa, passando através da muscular, submucosa (Cushing) e mucosa (Connell) no lume. Do lumen ou da submucosa a agulha avança para frente paralela à incisão e retorna à serosa através da muscular, no mesmo lado da incisão. Uma vez fora da víscera, a agulha e o fio são passados pela incisão e introduzidos no ponto que corresponde à saída do fio no lado oposto.
A agulha é reinserida através da serosa, muscular submucosa (Cushing) e mucosa (Connell), avança paralelamente à incisão e sai ao exterior novamente.

A sutura deve ser tracionada de tempos em tempos para favorecer a inversão, e o nó é feito no final da sutura.

Modificações das suturas de Lembert e Cushing são usadas para o fechamento de cotos viscerais, como no caso do uso da sutura de Parker-Kerr.

Uma Cushing sobre pinça sem dar nó, uma Lembert sobre a primeira. É usado para fixar drenos e tubos intracavitários.